segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

   "                    O que
                     uma pera
                     realmente
                      sabe da
                         vida
                     é o prazer
                          da
                     mordida.
                                                    "

TRISTEZA
manifesto contra a racionalidade instrumental


Estou triste, 
inexplicavelmente triste.
Triste como o olhar de um cão
triste como o olhar de um cão triste


Estou triste,
inexplicavelmente triste.
Nao sei quanto,
nao se pode medir tristezas.


medimos distancias
medimos tamanhos
medimos montanhas
medimos oceanos


mas, com certeza
não se pode medir tristezas.
Por isso, hoje, ela é em mim
o que há de mais humano.






*do lindo livro do mauro luis iasi, meu eterno arrependimento de não ter comprado nas duas oportunidades que tive.
o nome da obra é meta 
                             amor 
                             fases, 
assim tortinho e bonitinho. e é um dos vários livros legais da mais-que-legal editora Expressão Popular.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

"Em geral, tudo se resolve. Quando não, há sempre o mundo, vasto mundo, a nos oferecer novas rimas e soluções."

sábado, 10 de dezembro de 2011

talvez eu seja a única pessoa que morre de medo de viver nesse mundo em que estamos.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

“Vi minha vida se desenrolar diante de mim como uma figueira de um conto que havia lido. Da ponta de cada ramo, um gordo figo roxo acenava e me seduzia com um futuro maravilhoso. Um figo significava um marido e um lar feliz com filhos, outro era uma poetisa famosa, outro uma professora, outro era Esther Greenwood, a surpreendente editora, outro era a Europa, a África e a América do Sul, outro Constantin e Sócrates e Átila, um bando de amantes com nomes esquisitos e profissões originais, outro ainda era uma campeã olímpica, e acima de todos esses figos havia muitos outros que eu não conseguia entender. Vi-me sentada sob essa figueira, morrendo de fome, só porque não conseguia decidir qual figo escolheria. Queria-os todos, e escolher um siginificava perder o resto. Incapaz de me decidir, os figos começavam a murchar e apodrecer, e um a um caiam no chão a meus pés.”

(Trecho do livro A Redoma de Vidro)

domingo, 2 de outubro de 2011

Tudo é um entre um milhão de caminhos. Portanto, você deve sempre manter em mente que um caminho não é mais do que um caminho; se achar que não deve seguí-lo, não deve permanecer nele, sob nenhuma circunstância. Para ter uma clareza dessas, é preciso levar uma vida disciplinada. Só então você saberá que qualquer caminho não passa de um caminho, e não há afronta, para si nem para os outros, em largá-lo se é isso o que seu coração lhe manda fazer. Mas sua decisão de continuar no caminho ou largá-lo deve ser isenta de medo e ambição. Eu lhe aviso. Olhe bem para cada caminho, e com propósito, Experimente-o tantas vezes quanto achar necessário. Depois, pergunte-se, e só a si, uma coisa. Essa pergunta é uma que só os muitos velhos fazem. Meu benfeitor certa vez me contou a respeito, quando eu era jovem, e meu sangue era forte demais para poder entendê-la. Agora eu a entendo. Dir-lhe-ei qual é: esse caminho tem coração? Todos os caminhos são os mesmos: não conduzem a lugar algum. São caminhos que atravessam o mato, ou que entram no mato. Em minha vida posso dizer que já passei por caminhos, compridos, mas não estou em lugar algum. A pergunta do meu benfeitor agora tem um significado. Esse caminho tem um coração? Se tiver, o caminho é bom; se não tiver, não presta. Ambos os caminhos não conduzem a parte alguma; mas um tem coração e o outro não. Um torna a viagem alegre; enquanto você o seguir, será um com ele. O outro o fará maldizer sua vida. Um o torna forte; o outro o enfraquece. Dom Juan, através do relato de Castañeda em "A Erva do Diabo".