sábado, 10 de dezembro de 2011

talvez eu seja a única pessoa que morre de medo de viver nesse mundo em que estamos.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

“Vi minha vida se desenrolar diante de mim como uma figueira de um conto que havia lido. Da ponta de cada ramo, um gordo figo roxo acenava e me seduzia com um futuro maravilhoso. Um figo significava um marido e um lar feliz com filhos, outro era uma poetisa famosa, outro uma professora, outro era Esther Greenwood, a surpreendente editora, outro era a Europa, a África e a América do Sul, outro Constantin e Sócrates e Átila, um bando de amantes com nomes esquisitos e profissões originais, outro ainda era uma campeã olímpica, e acima de todos esses figos havia muitos outros que eu não conseguia entender. Vi-me sentada sob essa figueira, morrendo de fome, só porque não conseguia decidir qual figo escolheria. Queria-os todos, e escolher um siginificava perder o resto. Incapaz de me decidir, os figos começavam a murchar e apodrecer, e um a um caiam no chão a meus pés.”

(Trecho do livro A Redoma de Vidro)

domingo, 2 de outubro de 2011

Tudo é um entre um milhão de caminhos. Portanto, você deve sempre manter em mente que um caminho não é mais do que um caminho; se achar que não deve seguí-lo, não deve permanecer nele, sob nenhuma circunstância. Para ter uma clareza dessas, é preciso levar uma vida disciplinada. Só então você saberá que qualquer caminho não passa de um caminho, e não há afronta, para si nem para os outros, em largá-lo se é isso o que seu coração lhe manda fazer. Mas sua decisão de continuar no caminho ou largá-lo deve ser isenta de medo e ambição. Eu lhe aviso. Olhe bem para cada caminho, e com propósito, Experimente-o tantas vezes quanto achar necessário. Depois, pergunte-se, e só a si, uma coisa. Essa pergunta é uma que só os muitos velhos fazem. Meu benfeitor certa vez me contou a respeito, quando eu era jovem, e meu sangue era forte demais para poder entendê-la. Agora eu a entendo. Dir-lhe-ei qual é: esse caminho tem coração? Todos os caminhos são os mesmos: não conduzem a lugar algum. São caminhos que atravessam o mato, ou que entram no mato. Em minha vida posso dizer que já passei por caminhos, compridos, mas não estou em lugar algum. A pergunta do meu benfeitor agora tem um significado. Esse caminho tem um coração? Se tiver, o caminho é bom; se não tiver, não presta. Ambos os caminhos não conduzem a parte alguma; mas um tem coração e o outro não. Um torna a viagem alegre; enquanto você o seguir, será um com ele. O outro o fará maldizer sua vida. Um o torna forte; o outro o enfraquece. Dom Juan, através do relato de Castañeda em "A Erva do Diabo".

quinta-feira, 29 de setembro de 2011


de tanto não fazer nada
acabo de ser culpado de tudo
esperanças, cheguei

tarde demais como uma lágrima
de tanto fazer tudo
parecer perfeito

você pode ficar louco
ou para todos os efeitos
suspeito
de ser verbo sem sujeito

pense um pouco
beba bastante
depois me conte direito

que aconteça o contrário
custe o que custar
deseja
quem quer que seja
tem calendário de tristezas
celebrar
tanto evitar o inevitável

in vino veritas
me parece
verdade

o pau na vida
o vinagre
vinho suave

pense e te pareça
senão eu te invento por toda a eternidade

-paulo leminski.







'pelos caminhos que ando,
um dia vai ser
só não sei quando.'
PAULO LEMINSKI



 rio do mistério
que seria de mim
        se me levassem a sério?



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   Acaba com.
   Começa sem.
  
Não como eu quero. 
  Ou menos.
   Tira daqui, bota dali,
um lugar, não caminho.
     Prossegue de si.
Seguro morreu de velho,
        e sozinho.


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 essa a vida que eu quero,
querida

          encostar na minha
a tua ferida.



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   essa idéia
ninguém me tira
          matéria é mentira


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não fosse isso
e era menos
não fosse tanto
e era quase


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coração
PRA CIMA
escrito embaixo
FRÁGIL



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-que tudo se foda,
disse ela,
    e se fodeu toda


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  Eis que nasce completo
e, ao morrer, morre germe,
       o desejo, analfabeto,
de saber como reger-me,
       ah, saber como me ajeito
para que eu seja quem fui,
       eis o que nasce perfeito
e, ao crescer, diminui.



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vai vir o dia
quando tudo que eu diga
seja poesia


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vazio agudo
ando meio
cheio de tudo



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o barro
toma a forma
que você quiser

você nem sabe
estar fazendo apenas
o que o barro quer


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Como se a gente tivesse
metades que não combinam,
três partes, destempestades,
três vezes ou vezes três,
como se quase, existindo,
só nos faltasse o talvez.


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estrela cadente eu olho
o céu partiu
     para uma carreira solo


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Deve ocorrer em breve
uma brisa que leve
       um jeito de chuva
à última branca de neve.

       Até lá, observe-se
a mais estrita disciplina.
       A sombra máxima
pode vir da luz mínima.



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no fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
    a gente gostaria
de ver nosso problemas
    resolvidos por decreto

    a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
    é considerada nula
e sobre ela -- silêncio perpétuo

    extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
    lá pra trás nã há nada,
e nada mais

    mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
    e aos domingos saem todos passear
o problema, sua senhora
    e outros pequenos probleminhas.



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Apagar-me
diluir-me
desmanchar-me
até que depois
de mim
de nós
de tudo
não reste mais
que o charme.

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isso de querer
ser exatamente aquilo
      que a gente é
ainda vai
      nos levar além





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 você está tão longe
que às vezes penso
       que nem existo


       nem fale em amor
que amor é isto


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atrasos do acaso
cuidados
       que não quero mais

       o que era pra vir
veio tarde
       e essa tarde não sabe
do que o acaso é capaz





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sossegue coração
ainda não é agora
       a confusão prossegue
sonhos a fora

       calma calma
logo mais a gente goza
       perto do osso
a carne é mais gostosa





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como abater uma nuvem a tiros
os poemas incompletos
e o vermelho sempre verde dos sinais


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tá faltando o mais bonito e que sei de cor, o pense e te pareça lindo lindo lindo!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

..dou um passo de medroso, outro de temerário.
Com dois passos e meio fico doido e começo a voltar.
Sei o que não é pra mim. O que é meu não sei direito ainda.

-a.prado.
eu quero amor feinho
amor feinho não olha um pro outro.
uma vez encontrado é igual fé,
não teologiza mais.
amor feinho é bom porque cuida do essencial;
o que brilha nos olhos é o que é.
tudo que não fala, faz.
amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero amor feinho.

-a. prado.

domingo, 16 de janeiro de 2011

as coisas que não existem são mais bonitas.

o beijo não dado, 
o carinho contido,
o olhar desviado,


a verdade não dita,
que, se um dia o fosse,
viraria realidade colorida. 


mal sabe a menina:
uma vez acabado o preto e branco,
é nascido o risco de borrar.