quinta-feira, 29 de setembro de 2011

PAULO LEMINSKI



 rio do mistério
que seria de mim
        se me levassem a sério?



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   Acaba com.
   Começa sem.
  
Não como eu quero. 
  Ou menos.
   Tira daqui, bota dali,
um lugar, não caminho.
     Prossegue de si.
Seguro morreu de velho,
        e sozinho.


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 essa a vida que eu quero,
querida

          encostar na minha
a tua ferida.



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   essa idéia
ninguém me tira
          matéria é mentira


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não fosse isso
e era menos
não fosse tanto
e era quase


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coração
PRA CIMA
escrito embaixo
FRÁGIL



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-que tudo se foda,
disse ela,
    e se fodeu toda


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  Eis que nasce completo
e, ao morrer, morre germe,
       o desejo, analfabeto,
de saber como reger-me,
       ah, saber como me ajeito
para que eu seja quem fui,
       eis o que nasce perfeito
e, ao crescer, diminui.



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vai vir o dia
quando tudo que eu diga
seja poesia


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vazio agudo
ando meio
cheio de tudo



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o barro
toma a forma
que você quiser

você nem sabe
estar fazendo apenas
o que o barro quer


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Como se a gente tivesse
metades que não combinam,
três partes, destempestades,
três vezes ou vezes três,
como se quase, existindo,
só nos faltasse o talvez.


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estrela cadente eu olho
o céu partiu
     para uma carreira solo


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Deve ocorrer em breve
uma brisa que leve
       um jeito de chuva
à última branca de neve.

       Até lá, observe-se
a mais estrita disciplina.
       A sombra máxima
pode vir da luz mínima.



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no fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
    a gente gostaria
de ver nosso problemas
    resolvidos por decreto

    a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
    é considerada nula
e sobre ela -- silêncio perpétuo

    extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
    lá pra trás nã há nada,
e nada mais

    mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
    e aos domingos saem todos passear
o problema, sua senhora
    e outros pequenos probleminhas.



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Apagar-me
diluir-me
desmanchar-me
até que depois
de mim
de nós
de tudo
não reste mais
que o charme.

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isso de querer
ser exatamente aquilo
      que a gente é
ainda vai
      nos levar além





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 você está tão longe
que às vezes penso
       que nem existo


       nem fale em amor
que amor é isto


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atrasos do acaso
cuidados
       que não quero mais

       o que era pra vir
veio tarde
       e essa tarde não sabe
do que o acaso é capaz





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sossegue coração
ainda não é agora
       a confusão prossegue
sonhos a fora

       calma calma
logo mais a gente goza
       perto do osso
a carne é mais gostosa





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como abater uma nuvem a tiros
os poemas incompletos
e o vermelho sempre verde dos sinais


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tá faltando o mais bonito e que sei de cor, o pense e te pareça lindo lindo lindo!

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